Corpo de Bombeiros explica que fortes chuvas, correnteza, nível elevado da água e extensão da área dificultaram a operação; família foi avisada e realizou o reconhecimento
Após seis dias de uma intensa operação de buscas, o corpo de Marciano foi encontrado na manhã do dia 17 no rio localizado no bairro Granjinha, em Embu-Guaçu.
A confirmação foi apresentada pela sargento Ana Paula Fischer, do Corpo de Bombeiros Militar, durante entrevista concedida ao Portal de Notícias Embu-Guaçu. Segundo a militar, a família foi comunicada e a irmã de Marciano realizou o reconhecimento no local.
A operação mobilizou equipes da Estação de Bombeiros de Embu-Guaçu, pertencente ao 18º Grupamento de Bombeiros, agentes da Defesa Civil Municipal e o guia local Lukas Ubaldo.
Ocorrência começou como afogamento em curso
O Corpo de Bombeiros foi acionado por meio do telefone 193 na sexta-feira, dia 11, pouco antes das 18 horas. A ocorrência entrou inicialmente no sistema como “afogamento em curso”, classificação utilizada quando há informações de que a situação ainda está acontecendo.
De acordo com as informações repassadas às equipes, Marciano realizava um serviço elétrico e teria colocado uma escada sobre o rio para atravessar de um lado para o outro.
Durante a passagem, a escada teria se desequilibrado, provocando a queda de Marciano na água. Testemunhas relataram que ele ainda apareceu algumas vezes na superfície, mas depois submergiu e não foi mais visto.
A primeira equipe chegou ao local ainda no momento inicial da ocorrência. O cabo Tadeu chegou a entrar no rio na tentativa de localizar a vítima.
Sem a localização, o atendimento deixou de ser classificado como afogamento em curso e passou a ser tratado como uma operação de busca por pessoa afogada.
Anoitecer interrompeu os mergulhos
Segundo a sargento Ana Paula Fischer, a chegada da noite impediu a continuidade dos mergulhos, considerando os riscos para a própria equipe.
A busca aquática noturna não pôde prosseguir sem condições adequadas de visibilidade e segurança. Por esse motivo, os trabalhos foram programados para continuar no dia seguinte.
A interrupção dos mergulhos durante a noite não significou abandono da ocorrência, mas a adoção dos protocolos necessários para preservar a segurança dos profissionais envolvidos.
Chuvas elevaram o rio e aumentaram a correnteza
Outro fator determinante para a duração da operação foi o grande volume de chuva registrado em Embu-Guaçu naquele período.
As precipitações elevaram significativamente o nível do rio e aumentaram a força da correnteza. Com isso, tornou-se difícil prever a distância e a direção para onde Marciano poderia ter sido levado.
No sábado, as equipes também precisaram atender ocorrências relacionadas às enchentes no município, incluindo chamado envolvendo pessoa ilhada. As buscas na Granjinha foram retomadas durante a tarde.
A sargento explicou que, em situações como essa, o deslocamento de um corpo dentro do rio é imprevisível. Ele pode ficar preso em algum obstáculo, permanecer submerso ou ser levado por vários quilômetros.
Profundidade dificultou utilização dos equipamentos
No domingo, as equipes retornaram à região e utilizaram um equipamento destinado a tentar localizar ou enganchar objetos debaixo da água.
Entretanto, o nível do rio estava tão elevado que uma ferramenta com alcance aproximado de três metros não conseguiu atingir o fundo.
As buscas continuaram nos dias seguintes, tanto pelo rio quanto pelas margens e áreas alagadas. Os bombeiros percorreram diversos trechos na tentativa de localizar Marciano.
Também foram realizadas buscas em direção à região da Represa de Guarapiranga. Equipes que trabalham preventivamente na represa foram informadas sobre o desaparecimento e passaram a observar os locais alcançados pelas embarcações.
Drone e embarcações ampliaram a área de procura
A operação contou com duas embarcações, caiaque, drone, Jeep V8 e outros recursos empregados pelas equipes.
O guia local Lukas Ubaldo participou dos trabalhos e utilizou um drone para produzir imagens aéreas detalhadas do rio e das áreas próximas. Seu conhecimento da região também ajudou na orientação das equipes em pontos de acesso mais difícil.
A Defesa Civil Municipal, sob responsabilidade da inspetora Thaís Domingues, participou das buscas terrestres, das inspeções nas margens e do atendimento em áreas alagadas.
O Corpo de Bombeiros explicou que já existia a expectativa de que o corpo pudesse emergir entre segunda e terça-feira. No entanto, esse processo depende de diversos fatores, como temperatura da água, profundidade, correnteza e possíveis obstáculos existentes no rio.
Moradores encontraram o corpo
Na manhã do dia 17, moradores localizaram um corpo boiando no rio e avisaram as equipes.
Um morador conseguiu conduzir e segurar o corpo próximo ao barranco, impedindo que fosse novamente levado pela correnteza, até a chegada dos bombeiros.
Os profissionais saíram imediatamente da base, foram até o ponto indicado e realizaram a retirada.
A família foi comunicada pela equipe. A mãe e a irmã de Marciano compareceram ao local e, conforme o relato da sargento Ana Paula Fischer, a irmã fez o reconhecimento.
Após a retirada, a ocorrência foi encaminhada aos órgãos policiais e responsáveis pelos procedimentos legais.
Família recebeu informações durante as buscas
Durante a entrevista, a sargento informou que manteve contato diário com a filha de Marciano.
A família era avisada quando as equipes saíam para realizar uma nova busca e recebia o retorno depois de cada operação, inclusive quando os trabalhos terminavam sem a localização.
Para a sargento, apesar do desfecho doloroso, a recuperação do corpo possibilitou que a família recebesse o ente querido e realizasse os procedimentos de despedida.
Equipe do Corpo de Bombeiros Militar
Participaram da operação os seguintes profissionais:
- Sargento Ana Paula Fischer
- Sargento Rossi
- Sargento Arnaldo
- Cabo Tadeu
- Cabo Wagner
- Cabo Elson
- Soldado Leonardo Bicas
- Soldado Pablo Gabriel
- Soldado Nepomuceno
- Soldado Gazeta
- Subtenente Bezerra
A operação foi conduzida pelo 18º Grupamento de Bombeiros, por meio da Estação de Bombeiros de Embu-Guaçu, em conjunto com a Defesa Civil Municipal.
O trabalho também contou com a participação da inspetora Thaís Domingues, dos demais agentes da Defesa Civil e do guia local Lukas Ubaldo.
Emergências devem ser comunicadas pelo telefone 193
A orientação do Corpo de Bombeiros é que qualquer situação de emergência seja comunicada imediatamente pelo telefone 193.
O acionamento rápido permite que a ocorrência seja registrada oficialmente e que a equipe mais próxima seja encaminhada ao local.
O Portal de Notícias Embu-Guaçu manifesta solidariedade aos familiares e amigos de Marciano e reconhece o trabalho dos bombeiros, agentes da Defesa Civil, voluntários e moradores que colaboraram durante os seis dias de buscas.
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