Linha encerra o trajeto antes das comunidades mais afastadas, deixando trabalhadores e moradores expostos ao risco durante o dia, à noite e em períodos de chuva
Moradores da região da Estrada do Jaceguava, próxima à divisa de Embu-Guaçu com Parelheiros, enfrentam há anos dificuldades provocadas pela falta de transporte público até as comunidades localizadas na parte mais alta da via.
A situação ganhou repercussão após o morador Rodrigo de Brito registrar pessoas caminhando durante a noite pela estrada e encaminhar as imagens para o SBT. O vídeo mostra passageiros desembarcando no atual ponto final e seguindo a pé por um trecho longo, escuro e sem calçada.
De acordo com o relato apresentado durante a reportagem, existem pelo menos três vilas depois do local onde o ônibus encerra o trajeto. Os moradores dessas comunidades precisam enfrentar diariamente o restante do percurso caminhando.
O problema atinge principalmente pessoas que trabalham nos condomínios, clubes e outros estabelecimentos existentes na região. Pela manhã, muitos moradores descem a estrada a pé para conseguir embarcar. No retorno, precisam realizar o caminho contrário, subindo a via depois de desembarcarem no ponto final.
Falta de calçada aumenta o risco
Além da ausência de transporte até as comunidades, a estrada não oferece estrutura adequada para os pedestres. Em vários pontos, não existe calçada ou acostamento seguro, obrigando as pessoas a caminharem praticamente sobre a pista.
Durante a noite, a baixa visibilidade aumenta ainda mais o perigo. Pedestres dividem espaço com automóveis e caminhões que circulam pela região. Em dias de chuva, o percurso fica ainda mais difícil e inseguro.
As imagens apresentadas na reportagem evidenciam que o problema vai além do desconforto. Trata-se de uma questão de mobilidade, segurança e acesso ao transporte público.
Morador afirma que extensão foi prometida
Durante a entrevista, Rodrigo de Brito afirmou que já procurou representantes do poder público e que houve uma promessa de levar o ônibus até a entrada do condomínio localizado na parte superior da estrada.
Segundo ele, teria sido preparado até mesmo um espaço para que o coletivo pudesse parar ou realizar a manobra. Apesar disso, a extensão do trajeto não foi implantada e os moradores continuam sem uma resposta definitiva.
Rodrigo também relatou que a situação se arrasta há anos, atingindo diariamente trabalhadores e famílias que dependem do transporte coletivo.
Órgãos alegam restrições ambientais
Conforme as informações apresentadas durante a reportagem, a Secretaria de Mobilidade Urbana e Transporte de Embu-Guaçu e a SPTrans afirmaram que a Estrada do Jaceguava está localizada em uma área de proteção ambiental e que o trecho não teria infraestrutura adequada para acomodar um ponto final de ônibus.
A SPTrans informou ainda que estuda meios para ampliar o atendimento na região, respeitando a legislação ambiental vigente. Entretanto, não foi apresentado um prazo para a conclusão desses estudos nem uma previsão para a implantação de uma possível solução.
O morador contesta a justificativa. Ele afirma que a estrada foi asfaltada recentemente, possui circulação intensa de carros e caminhões e conta com espaço que poderia ser utilizado para a parada ou manobra do ônibus.
Impasse envolve Embu-Guaçu e São Paulo
A localização do trecho também torna o problema mais complexo. A área está próxima à divisa entre Embu-Guaçu e o distrito de Parelheiros, na capital paulista, envolvendo diferentes administrações e sistemas de transporte.
Essa condição, porém, não pode servir para deixar a população sem atendimento. É necessário definir com clareza qual órgão responde por cada trecho, quais estudos técnicos já foram realizados e quais alternativas podem ser implantadas.
Entre as possibilidades que precisam ser avaliadas estão a extensão da linha atual, a utilização de veículos menores, a criação de um ponto seguro de integração ou a implantação de outra solução que atenda às comunidades sem desrespeitar as normas ambientais.
Também é necessário adotar medidas emergenciais de segurança para os pedestres enquanto o problema não for resolvido, principalmente nos pontos sem calçada e com pouca iluminação.
População aguarda providências
A repercussão do caso amplia a cobrança por respostas objetivas. Os moradores querem saber se existe um estudo técnico em andamento, qual órgão será responsável pela solução e quando o transporte poderá chegar às comunidades mais afastadas.
Enquanto as autoridades analisam o problema, trabalhadores e moradores continuam percorrendo a Estrada do Jaceguava a pé, expostos ao tráfego, à escuridão e às condições climáticas.
O Portal Embu-Guaçu continuará acompanhando o caso e permanece aberto para a manifestação dos órgãos responsáveis.
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