Em entrevista exclusiva ao Portal Embu-Guaçu, prefeito Francisco Neguinho e secretário de Finanças José Carlos Calado detalham plano de contingência, revelam déficit de R$ 1,6 milhão e afirmam que município possui cerca de R$ 47 milhões em dívida consolidada.
A situação financeira da Prefeitura de Embu-Guaçu é mais delicada do que muitos moradores imaginavam. Em entrevista concedida ao Portal Embu-Guaçu, o prefeito Francisco Neguinho e o secretário municipal de Finanças, José Carlos Calado, apresentaram um panorama das contas públicas e explicaram as medidas que estão sendo adotadas para tentar recuperar o equilíbrio financeiro do município.
Durante a conversa, a administração admitiu a existência de um déficit de aproximadamente R$ 1,6 milhão no primeiro quadrimestre de 2026 e revelou que a dívida consolidada da Prefeitura gira em torno de R$ 47 milhões.
Segundo o prefeito, o principal problema enfrentado atualmente não é a queda na arrecadação, mas o acúmulo de compromissos financeiros assumidos ao longo dos anos.
“Dívidas acumuladas que estão dificultando até mesmo a manutenção da folha de pagamento”, resumiu Francisco Neguinho.
A declaração ajuda a entender por que a administração decidiu adotar um plano de contingência que prevê cortes de gastos, revisão de contratos e redução da estrutura administrativa.
Corte de gastos pode durar mais do que o previsto
Embora o decreto tenha sido anunciado inicialmente para 90 dias, a própria Prefeitura admite que esse prazo pode ser insuficiente.
Durante a entrevista, Neguinho afirmou que os primeiros meses servirão como uma fase de avaliação e que novas prorrogações não estão descartadas.
Na prática, a administração trabalha com a possibilidade de que o ajuste fiscal acompanhe boa parte dos próximos meses, podendo se aproximar de um ano de duração.
O secretário José Carlos Calado reforçou que a recuperação financeira não acontece de forma imediata.
“Não existe mágica nas finanças públicas. Estamos implantando as medidas e avaliando os resultados.”
Menos secretarias, menos cargos e revisão de contratos
Entre as principais ações já anunciadas está a redução da estrutura administrativa da Prefeitura.
O número de secretarias passará de 17 para 12.
Segundo a administração, a mudança não deve impactar diretamente o atendimento à população, já que parte das áreas será incorporada a estruturas já existentes.
A Prefeitura também iniciou a revisão de aproximadamente 18 contratos de aluguel de imóveis utilizados pela administração municipal.
A expectativa é reduzir despesas mensais e concentrar parte dos serviços em prédios próprios.
Outra frente envolve a redução de cargos comissionados, gratificações, designações e horas extras.
De acordo com os números apresentados durante a entrevista, as medidas já implantadas devem gerar uma economia superior a meio milhão de reais por ano.
Meta é eliminar o déficit
A Prefeitura estima alcançar aproximadamente R$ 1,5 milhão em economia até dezembro.
O valor é praticamente equivalente ao déficit de R$ 1,6 milhão apontado pela Secretaria de Finanças no fechamento do quadrimestre.
Na avaliação da administração, se as metas forem atingidas, será possível recuperar parte da capacidade financeira do município e reduzir a pressão sobre a folha de pagamento e os fornecedores.
População ainda conhece pouco o plano
Apesar do impacto das medidas, uma enquete realizada pelo Portal Embu-Guaçu mostrou que a maior parte da população ainda conhece pouco o plano de contingência.
Mais de 67% dos participantes afirmaram não saber ou saber poucos detalhes sobre as ações anunciadas pela Prefeitura.
Questionado sobre o tema, o prefeito afirmou que o processo de divulgação está apenas começando e que novas informações deverão ser apresentadas conforme as medidas forem sendo implementadas.
Saúde continua sendo a principal preocupação
A mesma pesquisa mostrou que a Saúde permanece como a principal preocupação dos moradores.
Quase metade dos participantes apontou a área como prioridade absoluta para os investimentos públicos.
Ao comentar o tema, Francisco Neguinho afirmou que uma das principais metas da administração é garantir estabilidade financeira para manter o funcionamento dos serviços essenciais e assegurar o pagamento dos profissionais.
O prefeito também rebateu informações divulgadas nas redes sociais sobre supostos atrasos generalizados de quatro meses nos pagamentos dos profissionais da saúde, classificando parte dessas informações como falsas ou distorcidas.
O desafio agora é mostrar resultados
A entrevista deixa uma mensagem clara: a Prefeitura reconhece que enfrenta uma situação financeira difícil e aposta em um ajuste fiscal para recuperar o equilíbrio das contas.
O sucesso do plano, porém, não será medido pelos decretos publicados ou pelas medidas anunciadas.
Nos próximos meses, a população acompanhará indicadores mais simples e diretos: pagamento de salários em dia, manutenção dos serviços públicos, redução de dívidas e melhoria da capacidade de investimento da cidade.
É nesse ponto que o plano de contingência deixará de ser uma proposta administrativa e passará a ser julgado pelos resultados efetivamente entregues à população.
